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Aniversário da primeira angioplastia em Portugal – Homenagem ao Professor Ricardo Seabra Gomes

O Congresso Português de Cardiologia é o maior palco nacional daquilo que se faz no mundo da Cardiologia. Inovação, atualização, e melhores cuidados de saúde, são expressões que estão, indubitavelmente, na ordem do dia neste evento. Como tal, a Sociedade Portuguesa de Cardiologia não pôde deixar passar em vão mais um aniversário da primeira angioplastia em Portugal, que aconteceu pela mão do Professor Ricardo Seabra Gomes, corria o ano de 1986. Este procedimento inovador no nosso país e que ocorreu nove anos após a primeira angioplastia mundial, realizada pelo cardiologista Andreas Gruentzig, em Zurique, permitiu abrir novas perspetivas no tratamento dos doentes.

Foi, assim, prestada, no âmbito do CPC 2018, uma homenagem ao médico que, há décadas, dava os primeiros passos naquele que viria a ser um dos procedimentos mais utilizados na Cardiologia moderna. No entanto, em entrevista, o Professor Ricardo Seabra Gomes reforça que existem ainda muitas coisas a mudar na forma como se lida com as doenças cardiovasculares, nomeadamente no que diz respeito aos registos de doentes e dá exemplos de países onde a implementação dos mesmos foi um sucesso. Falou ainda daquilo que o preocupa relativamente ao futuro de jovens médicos e estudantes de Medicina, bem como da forma como encarou este convite para fazer uma apresentação no CPC 2018.

 

DISCURSO DIRETO | PROFESSOR RICARDO SEABRA GOMES

 

1 – Qual o estado de arte da cardiologia nacional? Para onde caminhamos?

Nós vamos sobrevivendo, pois hoje em dia a educação é de fácil transmissão a nível internacional.

No entanto, há ainda alguns entraves. A título de exemplo, em 2005 fui para o Ministério da Saúde e quis continuar os registos e inclusivamente torná-los obrigatórios, mas não tive sucesso. O Prof. Lars Wallentin, que participa também neste congresso, é exemplo da experiência que eu gostava de ver replicada em Portugal, porque os registos na Suécia são obrigatórios.

2 – O que gostaria de ver acontecer num futuro próximo?

Devíamos caminhar no sentido de tornar os registos obrigatórios, mas eu tentei de tudo e não consegui. A verdade é que em Portugal não há ninguém que queira pensar que é necessário fazer o follow up dos doentes. Porque é que os registos deviam ser obrigatórios? Para que os médicos saibam o que se está a praticar. Grandes números significam perguntas simples. Depois, é só avaliar as consequências…

Aproveito igualmente para deixar um conselho para aqueles que querem entrar em Medicina ou que tenham entrado recentemente: procurem ser o melhor possível, à custa do sacrifício. As pessoas têm de investir nelas próprias, têm de lutar de forma responsável. Não é aceitável que falhem por falta de formação… e se a formação lhes é vedada; ou seja, se não lhes vai chegar a não ser que a procurem, então está nas mãos deles lutar por ela. É fulcral que sejam perseverantes!

3 – O que representa para si esta homenagem?

Propuseram-me a elaboração de uma apresentação no âmbito do CPC 2018, para que me pudessem prestar uma homenagem. De facto fui pioneiro nas angioplastias em Portugal e já fui homenageado duas ou três vezes por esse feito, pelo que vi nesta apresentação do CPC 2018 uma oportunidade para mostrar o que é que fiz além disso. Mas acho que foi merecido, honestamente. O Prof. Carlos Ribeiro referiu até a indiscutível existência de uma Cardiologia pré e pós Seabra Gomes. Pego nesta apreciação por ter sido proferida por uma pessoa que admiro e cuja equipa eu nem sequer integrei.

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