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Highligths do Congresso Europeu de Cardiologia 2018

«Há vários anos que a SPC persegue a possibilidade de, em Portugal, existir um registo nacional da atividade dos centros cirúrgicos, de modo a que seja possível conhecermos melhor esta atividade. Ao fim de um longo período de maturação é com muita satisfação que vemos o arranque de um registo verdadeiramente nacional, no qual todos os centros portugueses dos hospitais públicos vão estar presentes e espero também que os centros privados se lhes possam associar.» Prof. João Morais, Presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia

«A Cirurgia Cardíaca é parte integrante da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, e este é o primeiro registo do género a ser feito em Portugal. Com este Registo vamos ter acesso a alguns dados importantes que refletem a atividade cirúrgica no nosso pais.» Dr. Marco Costa, Diretor Executivo do Centro Nacional de Coleção de Dados em Cardiologia

«A Cirurgia Cardíaca é uma atividade de grande exigência e rigor, pequenos erros podem traduzir-se na morte do doente. Por conseguinte, é de extrema importância saber se, o que se faz em Portugal está a ser bem feito, se segue as boas práticas internacionais e, posteriormente, identificar a nível global, e em particular em cada Serviço, áreas de melhoria ou de consolidação das práticas clínicas.» Prof. Gonçalo Coutinho, Membro da Direção da Sociedade Portuguesa de Cardiologia e do Centro Nacional de Coleção de Dados em Cardiologia.

O Centro Nacional de Coleção de Dados em Cardiologia (CNCDC) é uma das mais importantes iniciativas da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) e tem como principal objetivo a promoção de Registos contínuos e de Estudos multicêntricos na área das doenças cardiovasculares.

Desde 2002, o CNCDC acumula dados que atualmente ascendem a mais de 200.000 doentes, em diversos registos e estudos, com varias dezenas de publicações e de apresentações em reuniões médicas nacionais e internacionais.

O Registo Nacional de Cirurgia Cardíaca está preparado para arrancar e desenha-se como um registo sobre a actividade da cirurgia cardíaca a nível nacional e que terá uma maior incidência nos dados hospitalares no seu arranque, mas que perspetiva a recolha de dados de seguimento.

Para melhor perceber o potencial deste registo na melhoria da saúde cardiovascular dos portugueses, o Prof. João Morais, Presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, Dr. Marco Costa, Diretor Executivo do CNCDC e Vice-Presidente da SPC, e o Prof. Gonçalo Coutinho, vogal da SPC e membro da Direcção Executiva do CNCDC, falaram em entrevista sobre o mesmo e sobre o potencial e necessidade inerente a este tipo de coleção de dados.

DISCURSO DIRECTO | PROF. JOÃO MORAIS 

O que representa para a cardiologia nacional o registo e coleção de dados na área da cirurgia cardíaca?

A cirurgia cardíaca representa uma das áreas mais importantes na Medicina Cardiovascular. Portugal pode orgulhar-se dos centros de cirurgia cardíaca que tem, os quais apresentam uma atividade muito intensa. A relação entre cardiologistas e cirurgiões cardíacos foi sempre excelente e importa recordar que estes são membros de pleno direito da Sociedade Portuguesa de Cardiologia.

Há vários anos que a SPC persegue a possibilidade de, em Portugal, existir um registo nacional da atividade dos centros cirúrgicos, de modo a que seja possível conhecermos melhor esta atividade. Ao fim de um longo período de maturação é com muita satisfação que vemos o arranque de um registo verdadeiramente nacional, no qual todos os centros portugueses dos hospitais públicos vão estar presentes e espero também que os centros privados se lhes possam associar.

Qual o impacto que estes registos imprimem à prática clínica e na democratização do acesso à saúde?

Os registos clínicos fazem-se com vários objectivos. Em primeiro lugar para conhecer a realidade e desse modo perceber se há zonas de preocupação que importe corrigir. Em segundo lugar, os registos permitem a análise de resultados e, desse modo, representam uma importante ferramenta de apoio à investigação. Saber a forma como as guidelines são aplicadas, ou como se comportam no mundo real as novas terapêuticas, que resultados se obtêm em populações marginais excluídas dos ensaios clínicos, são algumas das possibilidades que os registos clínicos nos oferecem. Os registos são geradores de hipóteses e desse modo abrem novos horizontes à investigação

De que forma os registos em saúde potenciam uma maior e melhor avaliação dos custos diretos e indiretos em saúde? E de que forma podemos, através dos mesmos, caminhar para uma melhor gestão em saúde? 

Um registo bem desenhado pode ser um bom contributo para a área da economia da saúde, já que representam a prática do dia a dia, sem restrições na inclusão de doentes e sem as condicionantes dos estudos clínicos. Nada melhor que este ambiente para análises do tipo custo-efetividade ou para se decidir que grupos de doentes podem beneficiar mais ou podem beneficiar menos de uma determinada intervenção.

Um dos problemas que temos em Portugal reside no facto de as análises de custos raramente terem em conta os resultados. Uma determinada intervenção é cara ou barata apenas pelo valor da sua fatura, sem se analisar quem beneficia. como beneficia, o que se evita ou o que se poupa. Os registos podem conter toda a informação necessária a análises deste tipo.

DISCURSO DIRECTO | DR. MARCO COSTA 

Qual a importância deste registo para o CNCDC?

A Cirurgia Cardíaca é parte integrante da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, e este é o primeiro registo do género a ser feito em Portugal. Com este Registo vamos ter acesso a alguns dados importantes que refletem a atividade cirúrgica no nosso pais. A ideia é aproveitar os recursos existentes no CNCDC, bem como toda a experiência previa em registos, para que este seja fácil de implementar, com poucos “missing data”  e que no final seja um instrumento útil aos serviços de cirurgia cardíaca e de cardiologia em Portugal.

Quais as variáveis e dados que este registo pretende recolher e analisar?

Dados hospitalares referentes as cirurgias, dados demográficos referentes aos doentes e dados de follow up. Será um registo baseado em variáveis usadas já no registo europeu, e por isso de fácil exportação, caso a comissão coordenadora assim o entenda.

De que forma este registo deverá contribuir para a evolução e melhoria dos cuidados da área de Cardiologia?

Por um lado, é fundamental juntarmos os números dos nossos centros, já que temos um país pequeno, com poucos centros de cirurgia, mas com níveis de atividade muito interessantes em alguns destes centros de forma individual, por outro lado, vai permitir-nos olhar de forma crítica e analisar tendências na evolução desta atividade bem como dos resultados do follow up. Por exemplo, podemos fazer algumas comparações interessantes relativamente a dados de outros registos de cirurgia de outros países, e mesmo com outras técnicas e procedimentos, como os da cardiologia de intervenção.

Que outros registos e dados gostaria o CNCDC de implementar e porquê?

A principal missão do CNCDC é o de dar apoio aos registos e estudos já existentes, respeitando a autonomia das comissões coordenadoras e o de proporcionar as ferramentas necessárias para surgirem novos registos contínuos. Para isso, devem ser respeitados 3 importantes pressupostos:
1. Os Registos devem ser tendencialmente nacionais, ou seja, de forma ideal envolver todos os centros do pais;
2. Devem ser exequíveis, ou seja, não devem consumir demasiado tempo à normal atividade clínica hospitalar;
3. Devem ser sustentáveis, com recursos financeiros que permitam a sua manutenção ao longos dos anos.
Temos neste momento algumas propostas em fase de análise e implementação, para além do Registo Nacional de Cirurgia Cardíaca, como sejam o Registo Nacional da Reabilitação Cardíaca e o Registo Nacional da Hipertensão Pulmonar.

DISCURSO DIRECTO | PROF. GONÇALO COUTINHO 

Qual a necessidade inerente à criação de registos como o Registo Nacional de Cirurgia Cardíaca?

A Cardiologia Nacional e, em particular, a Sociedade Portuguesa de Cardiologia, tiveram o mérito de perceberem, desde muito cedo, a importância da existência de registos de doenças do foro cardiovascular na população Portuguesa.  Com o objetivo de promover e facilitar a realização de estudos cooperativos nacionais a SPC criou, em 2001, o Centro Nacional de Coleção de Dados em Cardiologia (CNCDC). Desde então, o CNCDC acumula dados que atualmente ascendem a mais de 200.000 doentes, em diversos registos e estudos, com várias dezenas de publicações e centenas de apresentações em reuniões médicas nacionais e internacionais. Seguindo o bom exemplo da Cardiologia, a Cirurgia Cardiotorácica (CCT) Nacional, representada pelas Direções dos Serviços de CCT, pela Sociedade de Cirurgia Cardiotorácica e Vascular e pelo Colégio de Especialidade de CCT da Ordem dos Médicos, empenhou-se na criação de um Registo Nacional de Cirurgia Cardíaca. Na realidade,a sua criação é já um desígnio antigo que, no entanto, se viu gorado por razões logísticas e outras.

A avaliação da qualidade e desempenho dos atos médicos não pode, nem deve ser, uma apreciação subjetiva. Deve estar assente em avaliações métricas periódicas e auditadas, de forma que os “números” obtidos se traduzam em dados, que possam influenciar positivamente a atividade clínica diária. Ora, a Cirugia Cardíaca é uma atividade de grande exigência e rigor, pequenos erros podem traduzir-se na morte do doente. Por conseguinte, é de extrema importância saber se, o que se faz em Portugal, está a ser bem feito, se segue as boas práticas internacionais e, posteriormente, identificar a nível global, e em particular em cada Serviço, áreas de melhoria ou de consolidação das práticas clínicas.

Quais as variáveis e dados que este registo pretende recolher e analisar?  

O Registo Nacional de CCT chegou a estar em fase avançada ainda durante a anterior direção da SPC, mas acabou por colidir, em parte, pela informação excessiva que continha, tornando a introdução de dados um processo moroso e pouco prático. Foi o claro exemplo do ótimo ser inimigo do bom. O relançamento desta iniciativa teve como premissa simplificar e tornar exequível a introdução de dados, contemplando apenas dados demográficos, variáveis pré-operatórias, como fatores de risco cardiovasculares e exames complementares de diagnóstico e, por fim, dados peri-operatórios. A homogeneização com a base Europeia de Cirurgia Cardiotorácica (QUIP) foi assegurada, para possibilitar a exportação de dados para a QUIP, processo já iniciado por alguns Centros de CCT. Por este motivo, pretendemos numa primeira fase obter a caracterização do perfil do doente cirúrgico cardíaco no país, do tipo de cirurgia efetuada e da mortalidade e morbilidade precoce.

De que forma este registo deverá contribuir para a evolução e melhoria dos cuidados da área de Cardiologia?

As especialidades de Cardiologia e Cirurgia Cardiotorácica “andam de mãos dadas”. O conceito do Heart Team está praticamente instituído em todos os hospitais que têm as duas especialidades. Esta interdependência é profícua de uma forma bidirecional, por este motivo, qualquer mais valia adquirida numa área vai influenciar positivamente a outra. O futuro Registo Nacional de CCT vai permitir que cada centro participante possa receber periodicamente um relatório com os seus resultados clínicos, permitindo uma autoavaliação da sua atividade e comparar, se assim o desejar, com os resultados nacionais e europeus. Desta forma, vai constituir uma ferramenta útil para a avaliação de desempenho e implementação de estratégias locais, e de âmbito nacional, de otimização dos cuidados na Cirurgia Cardíaca.

O Registo arrancará com 3 ou 4 centros piloto. Já se sabe quais?

O objetivo de qualquer Registo Nacional de dados é que seja representativo da realidade do país e, como tal, o ideal seria que todos os Centros de CCT participassem ativamente e de forma continuada na introdução de dados. Reconhecendo que não é um cenário de todo possível, pretendemos que haja, pelo menos, uma representatividade de cada área geográfica, com um centro na região Norte, na região Centro e na região Sul a iniciarem o processo. Considero que a questão da criação de um registo oficial nacional obrigatório deveria ser ponderada, à semelhança do que já se verifica em outras patologias não cardiovasculares.

Quais as grandes expectativas e perspetivas de evolução deste Registo? 

O envolvimento de quase todas as direções de serviço de CCT do país, de ambas as sociedades científicas e, em particular, o apoio incondicional do CNCDC neste processo, acalenta-nos grande expectativa na sua execução.

Um problema transversal a todos os registos na área da saúde é obtenção de dados de seguimento clínico a médio-longo prazo. É sobejamente reconhecido que a avaliação de qualquer ato terapêutico não se faz apenas dos resultados imediatos. Na área cardiovascular isto ainda se torna mais evidente, pois o impacto de determinada estratégia terapêutica só se poderá refletir passados vários anos. Consequentemente, qualquer investigador deseja ter dados de “follow-up” consistentes e fidedignos, para poder avaliar temporalmente determinado tratamento e, só assim, poderá realizar investigação clínica de alta qualidade.

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