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Entrevista com o Prof. Lars Wallentin

From Evidence–based to Personalized Medicine

O Prof. Lars Wallentin, cardiologista sueco e fundador do Uppsala Clinical Research Center (UCR), esteve presente no Congresso Português de Cardiologia que este ano decorreu entre os dias 28 e 30 de abril no Palácio de Congressos do Algarve.

O cardiologista teve a oportunidade de fazer uma apresentação – From Evidence–based to Personalized Medicine -, após a qual a Direção da Sociedade Portuguesa de Cardiologia lhe dedicou um tributo em reconhecimento pelo trabalho desenvolvido ao longo da sua carreira. Em entrevista, o Prof. Lars Wallentin explica como vê hoje o estado da Cardiologia e em que direção devemos rumar para prevenir e tratar melhor as doenças cardiovasculares.

DISCURSO DIRETO | PROF. LARS WALLENTIN

Qual o estado de arte da Cardiologia? Para onde caminhamos?

O estado de arte da Cardiologia parece estar a enveredar por diferentes direções. A maioria dos cardiologistas trabalha em grandes centros universitários, onde o foco se centra no rápido desenvolvimento de novas tecnologias como a imagem 3D on-line, caracterização de tecidos e fluxo sanguíneo ou novos dispositivos de intervenção percutânea para o tratamento da doença das coronárias, das doenças valvulares e do ritmo cardíaco. Adicionalmente, existe um foco num melhor entendimento da fisiopatologia, estratificação do risco e resposta à terapêutica, com base na utilização de diferentes domínios, com medição da variabilidade genética, proteínas, metabolitos, lípidos, etc.

As opções de melhoria dos outcomes através de novos medicamentos parecem ter chegado a um limite, em que tendem a providenciar um valor limitado relativamente ao custo acrescido.

Simultaneamente, há nos dias de hoje um número crescente de doentes idosos que sobrevivem a um evento cardiovascular agudo e que são tratados em ambulatório. Consequentemente, são necessários mais recursos nesta área, em que a prevenção primária e secundária, bem como medidas que melhoram a qualidade de vida destas pessoas, se tornam cada vez mais importantes. Há igualmente uma crescente necessidade de recursos humanos e de dispositivos eletrónicos on-line que monitorizem o estilo de vida, os sinais do organismo e a interação entre o doente e o sistema de saúde.

O que podemos esperar num futuro próximo?

Num futuro próximo, espero que se intensifique a discussão sobre um maior foco na prevenção primária a na necessidade de ajustar o tratamento às necessidades de cada doente, de forma a aumentar a relação custo-eficiência e evitar riscos maiores, com a ambição de querer dar tudo a todos.

Espero também uma utilização substancialmente maior da internet e de aplicações médicas que, de uma forma interativa, colocam o doente diretamente em contacto com os serviços de saúde.

O que é que significa para si o tributo concedido pela SPC?

Recebo sempre este tipo de reconhecimento internacional com alegria, especialmente quando parte de colegas altamente reconhecidos, sem sequer ter enviado algum tipo de candidatura. Sinto-me profundamente honrado e espero conseguir regressar a Portugal ainda mais vezes!

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