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SPC reitera posição do Grupo Multidisciplinar de Tabagismo sobre os perigos do tabaco aquecido

«Do ponto de vista de segurança e do risco para a saúde, atualmente não existe evidência que demonstre que os produtos de tabaco aquecido são menos prejudiciais do que o cigarro convencional. É importante lembrar que não existe um nível de segurança para o uso do cigarro e que mesmo o consumo baixo produz doença significativa.» Dra.  Mónica Pedro, representante da SPC no Grupo Multidisciplinar de Tabagismo

Na sequência da última reunião do Grupo Multidisciplinar de Tabagismo, realizada a 8 de março do presente ano, os representantes das Sociedades Científicas que compõem o Grupo de Trabalho reviram a última versão do documento “Posição das Sociedades Científicas Portuguesas em Relação a Produtos de Tabaco Aquecido” e aprovaram o formato final do texto a ser publicado.

Esta posição pública resulta da preocupação gerada pelo surgimento de novos produtos de tabaco, assim como pelas alegações da indústria farmacêutica sobre risco reduzido destes dispositivos. “Os PTA contêm nicotina, substância altamente aditiva que existe no tabaco, causando dependência nos seus utilizadores, para além de estarem presentes outros produtos aditivos que não existem no tabaco e que são frequentemente aromatizados. Outro aspeto relevante é que o uso dos PTA permite imitar o comportamento dos fumadores de cigarro convencional, podendo haver o risco de os fumadores alterarem o seu consumo para estes novos produtos em vez de tentarem parar de fumar. Por outro lado, neste contexto, constituem também uma tentação para não fumadores e menores de idade iniciarem os seus hábitos tabágicos”, pode ler-se no documento.

Em entrevista, a Dr.ª Mónica Pedro, representante da SPC no Grupo Multidisciplinar de Tabagismo, explica os fundamentos desta decisão.

DISCURSO DIRETO | Dr.ª Mónica Pedro

Porque surgiu a necessidade de criar este documento?

Tendo em consideração que a experimentação e uso de cigarros eletrónicos está a sofrer um crescimento significativo junto dos adolescentes e jovens adultos e que os PTA aumentam o risco de iniciação no cigarro convencional e noutras drogas, o Grupo pretende alertar para o risco de uma renormalização do tabagismo e do uso duplo com cigarros convencionais que estes produtos podem representar. Além disso, pretendemos alertar para o facto de que o debate em torno dos novos produtos do tabaco não deve constituir um motivo de distração face ao principal objetivo em questão – promover medidas regulatórias que se sabe serem eficazes na redução do tabagismo e continuar a apoiar aqueles que desejem parar de fumar.

O que nos pode explicar sobre a segurança dos PTA?

Do ponto de vista de segurança e do risco para a saúde, atualmente não existe evidência que demonstre que os PTA são menos prejudiciais do que o cigarro convencional. Como está escrito no documento, “é importante lembrar que não existe um nível de segurança para o uso do cigarro e que mesmo o consumo baixo produz doença significativa. Assim, afirmar que os PTA contêm menos tóxicos não significa que se reduza o risco de doença”.

Qual é a posição do Grupo face a estes produtos?

As Sociedades médicas e científicas representadas neste grupo não recomendam a utilização de Produtos de Tabaco Aquecido, alertam para os seus riscos e mantêm a firme convicção de que a melhor forma de salvaguardar a saúde humana é a prevenção da iniciação de qualquer consumo e o apoio médico para cessação tabágica.

Houve outros temas em discussão?

Foi feita a apresentação do tema anual da Comissão de Tabagismo da Sociedade Portuguesa de Pneumologia: “A Arte de Não Fumar” e foi discutido o artigo “A Randomized Trial of E-Cigarettes versus Nicotine-Replacement Therapy”, cuja revisão foi realizada pela Dra. Paula Pamplona, pneumologista do Hospital Pulido Valente. A este propósito também se debateu a qualidade e o enviesamento da informação científica e não científica disponível e publicada sobre tabaco aquecido, e a constatação da manipulação dos conteúdos.

Quais as próximas ações do Grupo?

Foi proposta a constituição de uma equipa multidisciplinar de formação de formadores em “Intervenção Breve”, sob a coordenação do Dr. Rabi Costa (Grupo de Estudos de Doenças Respiratórias da APMGF), para que, posteriormente, se possa fazer formação de modo consistente, abrangente e homogéneo nesta área, com o objetivo futuro de tornar o Médico mais eficaz no combate à cessação tabágica;

Foi proposta a realização de trabalho de investigação sobre abstinência tabágica no internamento, sob a coordenação do Núcleo de Estudos de Doenças Respiratórias da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, com o objetivo de avaliar a presença de terapêutica disponível no internamento nos diferentes Serviços e Especialidades e de elaborar um documento com recomendações sobre o tratamento de tabagismo em doentes hospitalizados;

A SPP e a Comissão do Tabagismo vão organizar a Corrida do Pulmão, ainda sem data definida, mas que será provavelmente em junho, e para a qual vão convidar as Sociedades constituintes do Grupo a associarem-se;

O Grupo vai dinamizar a realização de ações conjuntas das Sociedades (de acordo com as respetivas Direções), não só nas datas comemorativas (31 de maio: Dia Mundial Sem Tabaco, em que já está previsto o lançamento do livro “Confissões de uma Ex-Fumadora” na sede da Sociedade Portuguesa de Pneumologia; 1 de agosto: Dia Mundial Cancro do Pulmão; 26 setembro: Dia Europeu do Ex-Fumador; e 20 de novembro: Dia Mundial da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica), mas também em outras datas ou eventos mais relacionados com cada Sociedade e em que a participação conjunta e/ou síncrona das restantes Sociedades permita uma visibilidade e um impacto muito maior junto do público.

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