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Highlights AHA 2019

Ainda nos encontrávamos a digerir as estimulantes novidades clínicas apresentadas no Congresso Europeu de Cardiologia no passado mês de Agosto, e de Filadélfia chegavam-nos notícias sobre novos estudos no tratamento de doenças cardiovasculares apresentados no congresso da American Heart Association, em Novembro. O ritmo vertiginoso do desenvolvimento da Medicina Cardiovascular entusiasma-nos e relembra-nos sobre o papel da SPC enquanto fórum privilegiado de reflexão e aprendizagem conjunta. Este conjunto de evidência clínica será, seguramente, objeto de discussão detalhada nas diversas atividades científicas e formativas da SPC a levar a cabo em 2020. Contudo, não quisemos deixar de notar alguns dos estudos que podem vir a influenciar a forma como tratamos diariamente os nossos doentes.

ISCHEMIA: um estudo importante para uma ampla e detalhada discussão sobre como abordar o tratamento de um subgrupo de doentes coronários
Este muito aguardado ensaio clínico randomizou 5179 doentes com doença coronária estável e isquemia do miocárdio indutível e sem doença do tronco comum (excluída por angioTC coronário) para coronariografia invasiva (seguida de revascularização percutânea ou cirúrgica se exequível) e tratamento médico otimizado ou tratamento médico otimizado isoladamente. Após 3,3 anos de seguimento clínico, não se observaram diferenças no endpoint primário composto que incluía morte cardiovascular, enfarte agudo do miocárdio, hospitalização por angina instável, hospitalização por insuficiência cardíaca e paragem cardíaca ressucitada.

COLCOT: será desta que incluiremos um anti-inflamatório no cocktail farmacológico pós-EAM?
Este ensaio clínico randomizou 4745 doentes após um enfarte agudo do miocárdio para colchicina (0.5 mg por dia) ou placebo. Após 23 meses de seguimento, observou-se uma redução de 23% do endpoint primário composto, à custa da menor ocorrência da revascularização coronária urgente e AVC.

ORION-10: uma nova forma, com uma periodicidade também inovadora, de combater o risco aterosclerótico residual
O inclisiran é uma pequena molécula de RNA capaz de silenciar a expressão do gene da PCSK9 cuja duração de ação permite uma administração subcutânea de periodicidade semestral. Este ensaio clínico randomizou 1561 participantes com doença cardiovascular aterosclerótica sob terapêutica antidislipidémica para administração semestral de inclisiran ou placebo. Aos 18 meses de seguimento, verificou-se uma redução em 58% dos níveis plasmáticos de LDL comparado com o grupo placebo.

RECOVERY: um pequeno ensaio difícil de extrapolar para outras populações mas que foca a difícil decisão sobre o timing cirúrgico na estenose aórtica grave assintomática.
Este ensaio clínico envolveu múltiplos centros da Coreia do Sul e randomizou 175 doentes assintomáticos (idade média de 64 anos; 61% com biscuspidia aórtica) com estenose aórtica muito grave para cirurgia de substituição valvular versus seguimento clínico. Foi observada uma redução de 91% na ocorrência do endpoint primário caracterizado por morte nos primeiros 30 dias após a cirurgia ou morte cardiovascular no período de seguimento clínico (6,3 anos).

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