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RECOMENDAÇÃO DA SPC

Uso de máscaras no contexto comunitário, um sinal de civismo

O vírus severe acute respiratory syndrome coronavirus 2 (SARS-CoV-2), responsável pela pandemia de COVID-19, transmite-se fundamentalmente por via respiratória, através de gotículas emitidas pelo indivíduo infetado que são posteriormente inaladas por aqueles que estão em proximidade ou que contactam com superfícies infetadas e, através das mãos, as transportam para as vias respiratórias.

As medidas de contenção de contágio preconizadas, como o distanciamento social e a lavagem frequente das mãos, pretendem evitar a inalação destas gotículas e prevenir a sua transmissão. Complementar a estas medidas é o uso de máscaras faciais, cuja utilização na comunidade tem sido largamente debatida e alvo de recomendações divergentes pelas diferentes entidades de saúde.

Não existem estudos de grande escala para fundamentar o uso universal de máscaras em contexto de epidemias por vírus de transmissão por gotícula, como é o caso do Influenza, o vírus responsável pela gripe. No entanto, algumas experiências populacionais reforçam a justificação empírica para o seu uso (Risk Anal. 2010 Aug;30(8):1210-8. doi: 10.1111/j.1539-6924.2010.01428.x. Epub 2010 May 20; Influenza Other Respir Viruses. 2012 Jul;6(4):257-67. doi: 10.1111/j.1750-2659.2011.00307.x. Epub 2011 Dec 21). Por um lado, diminuem a exposição de grupos mais vulneráveis e de maior risco, para os quais a sua utilização deve ser recomendada. Por outro, diminuem o risco de aerossolização de gotículas infetadas por indivíduos doentes ou portadores assintomáticos, mitigando o risco de transmissão. Neste último grupo incluem-se muitos dos doentes mais jovens e saudáveis, ativos e com maior mobilidade, para os quais não se justificaria o uso generalizado de máscaras para sua proteção individual, mas que poderá contribuir para o reforço de proteção dos grupos de risco, nos quais os doentes com patologia cardiovascular se inserem.

É por esta lógica de proteção individual e, de forma mais pertinente, de prevenção de transmissão aos grupos mais vulneráveis, que se justifica o uso universal de máscaras em locais públicos fechados ou em que não se possa garantir o isolamento social desejável, de acordo com o risco da atividade praticada. Trata-se de uma medida cívica que pode permitir o reinício da convivência social e da atividade económica de forma mais segura e solidária (Lancet Respir Med 2020. Published Online March 20, 2020 https://doi.org/10.1016/S2213-2600(20)30134-X; Published Online April 16, 2020 https://doi.org/10.1016/S0140-6736(20)30918-1). A recomendação do uso de máscara pode não ser sustentada por robusta evidência produzida por ensaios clínicos, mas é justificada pelo “princípio da precaução” (BMJ 2020;369:m1435 doi: 10.1136/bmj.m1435 (Published 9 April 2020))

O Centre for Disease Control dos Estados Unidos, inicialmente reticentes, passaram a recomendar, a partir de 4 de Abril, o uso de máscaras comunitárias pela população geral (Centre for Disease Control. How to protect yourself. 4 Apr 2020. https://www.cdc.gov/ coronavirus/2019-ncov/prevent-getting-sick/prevention.html?CDC_AA_refVal=https%3A% 2F%2Fwww.cdc.gov%2Fcoronavirus%2F2019-ncov%2Fprepare%2Fprevention.html. ).

A questão deixa, portanto, de ser se deveríamos ou não usar máscara, mas que tipo de máscara. O ideal seria o uso de máscaras cirúrgicas no contexto social. Conscientes de que não se poderá colocar em causa a disponibilidade de máscaras cirúrgicas (ou respiradores P2) para os profissionais de saúde que tratam de doentes infetados ou mais vulneráveis, não será razoável esperar que existam máscaras cirúrgicas disponíveis para todos. No entanto, as máscaras de tecido de algodão, designadas como máscaras comunitárias (Disaster Med Public Health Prep. 2013 Aug;7(4):413-8. doi: 10.1017/dmp.2013.43), poderão ser boas opções para aqueles que têm baixo risco, deixando disponíveis as máscaras cirúrgicas para os grupos de risco (idosos e pessoas com doenças debilitantes, como as cardiovasculares), prestadores de cuidados a pessoas institucionalizadas e profissionais de saúde.

É verdade que a máscara protege pouco quem a usa e, sobretudo se for mal utilizada, pode dar uma falsa sensação de segurança. Mas também é verdade que se pode ser portador e disseminar o vírus sem se sentir doente e que, por conseguinte, o uso de máscara protege os outros. A nossa principal proteção é a máscara do outro.

O uso de máscara é um exercício solidário de cidadania!

Se sair de casa, use máscara, pela sua e pela nossa saúde!         

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