Pelo futuro da medicina cardiovascular, SPC e Academia Cardiovascular lançam “Ciclo de Formação Avançada em Insuficiência Cardíaca”

16 formandos, oito formadores: juntos pelo tratamento e melhor diagnóstico daquela que é considerada uma das grandes epidemias cardiovasculares do século XXI, a Insuficiência Cardíaca. 
 
“A Academia tem de estar para os nossos sócios e outros que se queiram juntar, como a Universidade está para os nossos estudantes. É na Academia que o sócio da SPC deve encontrar tudo o que precisa para se manter atualizado no plano científico e profissional. É, e será cada vez mais, o centro de formação em Medicina Cardiovascular por excelência.” Prof. João Morais, Presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia.
 
“Consideramos que esta é uma oportunidade única para treinar um grupo de experts em Insuficiência Cardíaca (IC) que poderão ser o motor da mudança e inovação no tratamento da IC nas suas áreas de influência.” Prof. Cristina Gavina, responsável pela Academia Cardiovascular da Sociedade Portuguesa de Cardiologia.
 
 
28 de setembro foi a data que marcou o arranque do mais aguardado ciclo de formação, promovido pela Academia Cardiovascular e pela sua Sociedade anfitriã, a Sociedade Portuguesa de Cardiologia, o Ciclo de Formação Avançada em Insuficiência Cardíaca, cujo módulo de inauguração foi moderado pela Dr.ª Brenda Moura, sob o tema: Definição, Epidemiologia e Prognóstico.
 
16 formandos terão a oportunidade de presenciar um curso com uma grande componente prática e orientado para a prática clínica que pretende formar profissionais altamente diferenciados, para que possam estar envolvidos na criação de uma rede de organização de cuidados na IC e Centro de IC Avançada por forma a potenciar um melhor diagnóstico e tratamento desta que é considerada uma das grandes epidemias cardiovasculares do século XXI, a Insuficiência Cardíaca. 
 
O Ciclo de Formação Avançada em Insuficiência Cardíaca oferece 100 horas de formação divididas por 8 módulos de 12 horas cada. Quanto à componente formativa, cada módulo terá uma componente teórica e prática com discussão de casos clínicos, em estações de trabalho de imagem ou em unidades de saúde, para aplicação prática dos conhecimentos. Será fornecida bibliografia de apoio previamente ao início de cada módulo e a avaliação será realizada no final através de teste de escolha múltipla online.
 
Definição, Epidemiologia e Prognóstico foi o tema do primeiro módulo, coordenado pela Dr.ª Brenda Moura, Diagnóstico e Tipos Específicos de Miocardiopatias é o mote do segundo módulo moderado pelo Prof. Mário Santos. O terceiro módulo será dirigido pela Profª. Cândida Fonseca e incidirá sobre o Tratamento Farmacológico da IC crónica, já a abordagem ao tema do Tratamento Não Farmacológico terá como moderador o Dr. Ricardo Ladeiras Lopes. O quinto módulo ficará a cargo do Prof. Ricardo Fontes-Carvalho e o sexto da Dr.ª Sílvia Monteiro com os temasComorbilidades na Insuficiência Cardíaca e Insuficiência Cardíaca Aguda, respetivamente. Insuficiência Cardíaca Avançada, Suporte Circulatório Mecânico e Transplantação Cardíaca será o assunto do módulo sete, a cargo do Prof. Rui Baptista e o Ciclo termina com o módulo oito, Abordagem Multidisciplinar: Heart Team, coordenado pela responsável pela Academia Cardiovascular da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, Prof. Cristina Gavina, com quem estivemos à conversa para perceber a grande potencialidade e inovação desta formação a quem se juntou o Prof. João Morais, Presidente desta Sociedade Científica, que vê nesta Academia uma oportunidade dos sócios se manterem atualizados no plano científico e profissional.
 
DISCURSO DIRETO | PROF. CRISTINA GAVINA 
 
O que está na base da criação do Ciclo de Formação Avançada em Insuficiência Cardíaca? 
A Academia Cardiovascular da SPC está alinhada com a missão da SPC, que passa também pela formação dos profissionais envolvidos no tratamento das doenças cardiovasculares em Portugal, daí o nosso lema ser “formar o futuro da medicina cardiovascular”. Para tal, consideramos que uma das nossas prioridades passaria pela formação de profissionais em áreas críticas para a saúde dos portugueses, aproximando centros e modelos, facilitando redes de contactos e criando maior uniformidade na abordagem do problema ao nível nacional. A escolha da IC surgiu naturalmente, uma vez ser uma das duas prioridades identificadas pela atual Direção da SPC.   
 
Que lacunas formativas pretende este ciclo formativo colmatar? Qual o grande diferencial deste ciclo em termos de oferta formativa em Portugal, sobretudo na área da IC? 
A IC é uma síndroma e não uma doença, podendo resultar de várias etiologias, e exige uma abordagem individualizada. A aquisição de competências neste âmbito implica treino em áreas que vão da epidemiologia e fisiopatologia, ao diagnóstico, estratificação de risco, tratamento crónico e agudo, e orientação em fim de vida. Em Portugal os médicos podem encontrar oportunidades de formação em cada uma destas áreas de forma individual, mas não existia um programa alargado e continuado que permitisse integrar todos estes pontos num único currículo, com a garantia de interação com formadores que são os melhores nas suas áreas, quer em termos científicos, quer como clínicos no terreno. 
Esperamos que este ciclo de formação avançada possa colmatar essa lacuna. O elevado número de inscrições, que ultrapassou largamente o número de vagas disponíveis, confirmou esta necessidade.
Este é um modelo que queremos replicar noutras áreas e está já planeado um Ciclo de Formação Avançada em Cuidados Intensivos Cardíacos para o final de 2019.
 
Quais as grandes expectativas relativamente ao Ciclo de Formação Avançada em IC, nomeadamente no que diz respeito ao diagnóstico, prática clínica e criação de uma rede de organização de cuidados na IC? 
Consideramos que esta é uma oportunidade única para treinar um grupo de experts em IC que poderão ser o motor da mudança e inovação no tratamento da IC nas suas áreas de influência. É muito importante aproximar práticas através de uma formação comum, permitindo depois a diferenciação dos modelos organizacionais segundo as especificidades locais. Esperamos ainda contribuir para desenvolver redes de referenciação e projetos de investigação multicêntricos, potenciados pela partilha de experiências e networking entre formandos e formadores durante este período. 
A escolha de formadores foi criteriosa e pretendeu obter não só qualidade, mas também representatividade dos modelos de tratamento de IC no nosso país. Reconheço que, felizmente, o número de médicos de elevada qualidade envolvidos no tratamento da IC em Portugal faz com que seja muito fácil encontrar bons formadores, e só tenho pena de não ser possível envolve-los a todos. Mas em futuras edições pretendemos ter cada vez mais pessoas comprometidas nestas partilhas de experiências. 
 
O que representa esta Ciclo para a Academia Cardiovascular? 
Este ciclo representa o início de um formato mais ambicioso e de maior responsabilidade, que esperamos alargar a outras áreas, com um público-alvo mais restrito que procura adquirir competências em áreas específicas. Isto sem descurar a formação do clínico mais generalista, o interno de formação específica ou do especialista mais diferenciado, para quem irão continuar outras ofertas de mais curta duração. Estes cursos e workshopscontam com a colaboração, e são muitas vezes da iniciativa dos nossos grupos de estudos, o que denota que a SPC é, tal como o músculo cardíaco, um sincício e não um conjunto de células musculares isoladas
 
Como correu o módulo inaugural do Ciclo de Formação Avançada em IC, “Definição, Epidemiologia e Prognóstico”? 
O arranque não poderia ter sido mais auspicioso. Os formandos já começaram a trabalhar em grupos para a criação de modelos de tratamento de IC com vista à implementação local, com propostas bastante interessantes. Esperamos grandes resultados deste grupo, o que servirá certamente de incentivo para futuros candidatos.
 
DISCURSO DIRETO | PROF. JOÃO MORAIS  
 
O que está na base da criação da Academia Cardiovascular? 
As sociedades científicas nascem e vivem a pensar nos seus sócios e se há aspeto para o qual se tem de dar particular atenção é para a formação e qualificação dos nossos associados. Seja a pensar nos jovens em fase de treino para a obtenção do titulo especialista, seja a pensar nos mais antigos, a sociedade tem de ter respostas adequadas.
 
Ao criar e fazer crescer a Academia não estamos a diminuir todos os esforços feitos no passado, neste domínio, estamos sim a dar-lhe consistência, criando estruturas e uma organização. Esta foi uma das principais prioridades da atual direção a que presido.
 
Que lacunas formativas pretende esta Academia colmatar? 
Em Portugal não existe atividade de formação pós-graduada organizada e de qualidade. Na maior parte das vezes é a indústria farmacêutica que, nas suas atividades promocionais, organiza eventos de formação frequentemente até de bom nível.
A Academia visa trazer para dentro da sociedade a organização da formação e da atualização de conhecimentos que os nossos sócios necessitam, cobrindo assim uma imensa lacuna existente em Portugal.
 
O que representa a Academia Cardiovascular para a SPC?
A par do Congresso Português de Cardiologia representa todo o empenho que a sociedade coloca no tema da formação, mas de uma formação sólida, organizada sob linhas de orientação claras e com continuidade.
 
Qual o papel que tem a Academia no Futuro da Cardiologia Nacional? 
A Academia tem de estar para os nossos sócios e outros que se queiram juntar, como a universidade está para os nossos estudantes. É na Academia que o sócio da SPC deve encontrar tudo o que precisa para se manter atualizado no plano científico e profissional. É e será cada vez mais o centro de formação em Medicina Cardiovascular por excelência.