Call to Action – Re(pensar) os cuidados intensivos cardíacos em Portugal

Reunião do GECIC propõe reflexão sobre o estado dos cuidados intensivos cardíacos em Portugal

Nos dias 9 e 10 de novembro irá decorrer, no Vip Executive Art’s Hotel, em Lisboa, a iniciativa Call to Action – Re(pensar) os cuidados intensivos cardíacos em Portugal. Esta reunião, organizada pelo Grupo de Estudos de Cuidados Intensivos Cardíacos (GECIC), tem como finalidade refletir sobre o que está a ser feito e o que o futuro nos reserva para esta área médica.

Neste debate marcarão também presença sessões científicas de atualização, bem como uma prospeção dos avanços esperados na próxima década, num debate que reúne especialistas de todo o país.

Em entrevista, a Dra. Sílvia Monteiro, Coordenadora do GECIC, falou desta conferência e da sua importância para os cuidados da Cardiologia nacional.

DISCURSO DIRETO | DRA. SÍLVIA MONTEIRO

Qual a maior expectativa para este encontro?

Os Cuidados Intensivos Cardíacos constituem uma área particularmente estimulante da Cardiologia, que enfrenta desafios importantes no nosso país e merece uma reflexão profunda e urgente, no sentido de definir qual o caminho a prosseguir nestes tempos plenos de desafios e oportunidades.

Desta forma, decidimos convidar todos os profissionais interessados nesta área para (re)pensar os Cuidados Intensivos Cardíacos, cujo momento alto será certamente o debate Cuidados Intensivos Cardíacos em Portugal: que futuro?, que conta com a participação de alguns dos profissionais mais reconhecidos nesta área no nosso país.

A definição de modelos de organização das Unidades de Cuidados Intensivos Cardíacos (UCIC), a criação de redes de referenciação formais com integração de hospitais e UCIC com diferentes níveis de diferenciação, a colaboração entre os centros, bem como a formação e a aquisição de competências constituem o principal objetivo desta reunião.

Pretendemos criar momentos de partilha de experiências, análise e reflexão, abraçando um formato diferente onde a participação e o contributo de cada um dos participantes é essencial.

Quais os principais tópicos que vão estar em debate? Qual a importância de os destacar nesta reunião?

Para além do grande debate sobre o futuro dos Cuidados Intensivos Cardíacos em Portugal, teremos sessões científicas de atualização na abordagem do Enfarte Agudo do Miocárdio com supradesnivelamento de ST, terapêutica antitrombótica na FA, doença coronária e tromboembolismo venoso, e lançaremos também um olhar sobre os avanços esperados nos próximos 10 anos na área da imagem, fármacos, revascularização e dispositivos usados nesta área.

O encerramento da reunião será feito com chave de ouro, com uma conferência proferida pelo Presidente da SPC, uma personalidade ímpar em Cuidados Intensivos Cardíacos. Os participantes na reunião têm ainda a possibilidade de frequentar 2 cursos, dedicados aos Acessos Vasculares Ecoguiados, Suporte Circulatório Mecânico.

Tendo em conta o elevado nível de diferenciação, a elevada incidência de eventos cardiovasculares e a relação de proximidade e confiança estabelecida entre médico e doente, as UCIC representam uma área privilegiada para investigação clínica. Neste contexto, teremos uma sessão de casos clínicos desafiantes e a apresentação em poster eletrónico de trabalhos científicos originais, com prémios para os melhores jovens investigadores nesta área.

A reunião de investigadores do Registo Nacional de Síndromes Coronárias Agudas merece também um destaque especial neste evento, onde será lançada uma nova plataforma nacional de colaboração científica.

Unidade de Cuidados Intensivos Cardíacos: State of the art: Pode partilhar connosco o que podemos esperar desta palestra?

Os cuidados cardíacos agudos incluem patologias com severidade e prognóstico muito distinto. Neste contexto, é fundamental definir para cada tipo de condição cardiovascular aguda o nível de cuidados a prestar em termos de equipa, técnicas disponíveis e ambiente, de forma a melhorar a qualidade dos cuidados e o prognóstico do doente, bem como permitir uma alocação eficiente dos recursos, sempre escassos na nossa realidade atual.

Nesta sessão pretende-se apresentar os principais modelos de organização de UCIC com diferentes níveis de diferenciação técnica, incluindo o espaço físico, dispositivos e meios tecnológicos disponíveis, bem como, a constituição da equipa de profissionais exigida para a prestação de cuidados multidisciplinares integrados.

A abordagem do doente cardíaco crítico tem necessidade de decisões rápidas com margens de segurança estreitas, estratificação de risco dinâmica, reconhecimento precoce e prevenção de complicações. Por outro lado, é importante o domínio da evolução tecnológica, particularmente nas técnicas de imagem cardíaca, cardiologia de intervenção e dispositivos de assistência ventricular, bem como em modos complexos de ventilação mecânica e técnicas de substituição renal. Pelas razões expostas, torna-se fundamental que a gestão do doente cardíaco crítico seja feita por médicos com formação e experiência na intervenção cardíaca especializada e competência em medicina de cuidados intensivos.

Tendo em conta os recursos humanos e logísticos limitados dos sistemas de saúde e os melhores resultados obtidos nas UCIC de alto volume assistencial, será abordada a possibilidade de criação de uma rede de referenciação regional, incluindo uma variedade de modelos organizativos com diferentes níveis de recursos profissionais e tecnológicos.

Uma vez que os estados de doença terminal são comuns no ambiente de cuidados intensivos cardíacos, nesta apresentação serão também abordados conceitos relacionados com os cuidados de fim de vida, nomeadamente a informação prestada aos doentes e familiares, a discussão e programação de cuidados, a decisão de desativação de dispositivos e o tratamento da dor e alívio de sintomas, que cada vez mais devem fazer parte das competências do cardiologista intensivista.

Haverá uma sessão conjunta com o CJC. O que se espera desta sessão?

A complexidade da doença cardíaca avançada, o aumento de complicações sistémicas graves, a rápida emergência de novas tecnologias, o papel crucial da experiência e do conhecimento na redução de complicações iatrogénicas na UCIC, bem como a complexidade geral do ambiente vivido atualmente nas UCIC tornam essencial a presença de uma equipa médica dedicada, constituída por cardiologistas com experiência e formação na área dos cuidados intensivos cardíacos. Desta forma, considerámos essencial discutir o Acute Cardiac Care Association Core Curriculum e definir os modelos de formação e certificação em Portugal para profissionais dedicados a esta área, envolvendo naturalmente as gerações mais jovens da cardiologia, moderados por personalidades reconhecidas na área da formação cardiológica nacional e europeia.

PROGRAMA