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Registo Nacional de Insuficiência Cardíaca

A Insuficiência cardíaca (IC) é um problema crescente de saúde pública. Cerca de 26 milhões de indivíduos em todo o mundo vivem actualmente com IC comparável com os 32 milhões que vivem com cancro e os 34 milhões com VIH/SIDA.  A prevalência estimada da IC actualmente em Portugal é de 5,2%, correspondendo a cerca de 400 000 individuos adultos a sofrer da síndrome. A sua incidência aumenta abruptamente com a idade a partir da sétima década de vida e é a primeira causa de hospitalização após os 65 anos, nos países industrializados.

Prevê-se um aumento do número de doentes com IC em 30% até 2034, devido essencialmente ao envelhecimento da população, bem como ao tratamento mais eficiente, quer das doenças cardíacas que terminam em IC, quer da própria síndrome.

Apesar dos avanços observados nos últimos trinta anos no desenvolvimento de novas moléculas, bem como de novas modalidades terapêuticas eficazes no tratamento da IC com fracção de ejecção reduzida, os doentes com IC mantêm elevadas taxas de mortalidade e re-hospitalização e custos exuberantes para o sistema nacional de saúde. Atualmente, a maioria dos países europeus não tem uma estratégia nacional, ao nível dos cuidados de saúde, capaz de travar o risco e impacto desta doença nas suas populações.

Os dados existentes entre nós, ainda que parcelares, evidenciam uma falta de organização dos recursos para a assistência à IC em Portugal, bem como dos fluxos dos doentes aos vários níveis da saúde.

È por isso urgente priorizar a síndrome de IC no plano nacional para a saúde em Portugal. Todos, doentes, profissionais de saúde e decisores, deverão estar sensibilizados para a síndrome e preparados para enfrentar a “epidemia” nas suas várias vertentes.

É essencial o conhecimento, no terreno, da realidade da situação em Portugal. As Recomendações Internacionais sumarizam os ensinamentos que os grandes estudos na área da IC nos facultam. Se por um lado os estudos clínicos nos fornecem dados concretos acerca das características de grandes populações de doentes com IC, a verdade é que incluem frequentemente populações selecionadas que nem sempre refletem a realidade dos doentes com IC no “mundo real”.

Nos últimos anos a comunidade científica tem incentivado os Registos dos dados da vida real, por estes refletirem com maior fidelidade os doentes encontrados na prática clínica. A colheita rigorosa e fidedigna de dados observacionais, no mundo real, proporciona-nos um maior e melhor conhecimento das doenças e é relevante cientificamente como plataforma para o desenvolvimento de programas educacionais baseados nos défices captados, bem como para o desenvolvimento de Recomendações que venham, de facto, ao encontro das necessidades dos doentes e dos Profissionais de Saúde.

Os Registos, ao oferecerem uma imagem real da forma como as doenças cardiovasculares são diagnosticadas e tratadas nos diferentes países, permitem a comparação das diferentes práticas clínicas, bem como a avaliação da sua conformidade com as Recomendações Internacionais. Oferecem a possibilidade de avaliar a dimensão do problema, de identificarmos desvios no diagnóstico e tratamento da IC, identificar áreas para melhoria, estabelecer indicadores e padrões de qualidade e assim influenciar clínicos e decisores, no sentido de reduzir a carga económica e social da insuficiência cardíaca

É do conhecimento geral que os Registos existentes nos Estados Unidos e em muitos países Europeus são fundamentalmente oriundos de serviços de cardiologia. No entanto, noutros, entre os quais Portugal de inclui, cerca de metade dos doentes com IC são internados em serviços de medicina interna.

Chegou assim a hora de partilharmos experiências, de coordenarmos esforços em programas de percepção, estratégias e politicas que permitam melhorar o tratamento da IC a nível nacional. Neste sentido, o Grupo de Estudos de Insuficiência Cardíaca (GEIC) da SPC e o Núcleo de Estudo de Insuficiência Cardíaca da SPMI uniram esforços na criação de um Registo Português de IC, inovador pela abrangência ao incluir todos os doentes, de todos os serviços de cardiologia bem como de medicina, que se disposerem a nele participar.

Desafiamos assim todos os Serviços de cardiologia e de medicina Interna do país a  participar neste Registo.

COMISSÃO COORDENADORA:

Cândida Fonseca
Dulce Brito
Joana Pimenta
Paulo Bettencourt

REFERÊNCIAS

  • Ponikowski P, Voors AA, Anker SD et al. 2016 ESC Guidelines for the diagnosis and treatment of acute and chronic heart failure: The Task Force for the diagnosis and treatment of acute and chronic heart failure of the European Society of Cardiology (ESC). Developed with the special contribution of the Heart Failure Association (HFA) of the ESC. Eur J Heart Fail. 2016;18:891-975.
  • Ambrosy AP, Fonarow GC, Butler J, et al. The global health and economic burden of heart failure: lessons learned from hospitalized heart failure registries. J am Coll cardiol 2014;63:1123-33.
  • Cândida Fonseca, Daniel Brás, Inês Araújo, Fátima Ceia. Insuficiência cardíaca em números: estimativas para o século XXI em Portugal. Rev Port Cardiol. 2018;37(2).
  • Miguel Gouveia, Raquel Ascenção, Francesca Fiorentino1, João Costa, Daniel Caldeira, Paula Broeiro  Gonçalves, Candida Fonseca, and Margarida Borges. The current and future burden of heart failure in Portugal. ESC Heart Failure 2019; 6: 254–261.
  • van Riet EE, Hoes AW, Wagwnaar KP, Limburg  A, Landman  MA, Rutten FH. Epidemiology of heart failure and ventricular dysfunction in older adults over time. A systematic review. Eur J Heart Fail 2016;18:242-52.
  • Fonseca C, Brito D, Cernadas R ,et al. Pela melhoria do tratamento da insuficiência cardíaca em Portugal – documento de consenso. Rev Port Cardiol. 2017;36:1-8.
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