Sociedade Portuguesa de Cardiologia festejou os 69 anos com evento inovador

No passado dia 7 de julho celebraram-se, na Torre dos Clérigos, no Porto, os 69 anos da Sociedade Portuguesa de Cardiologia. Este ano foi a primeira vez que um evento destes se alargou ao público, permitindo uma aproximação da SPC à sociedade civil, um dos objetivos previstos por esta Direção.

Foi no âmbito deste evento que o Presidente da SPC, o Prof. João Morais, partilhou alguns dos acontecimentos mais marcantes destes 69 anos de vida da Sociedade, e aquilo que espera para o futuro, numa altura em que “interessa aprofundar os objetivos e a ação da SPC.” 

DISCURSO DIRETO | PROF. JOÃO MORAIS 

Como correu esta celebração?

A celebração dos 69 anos SPC correu muito bem. Há, no entanto, três aspetos que importa destacar:  Foi a primeira vez que comemorámos um aniversário da SPC no Porto. O Porto tem muitos cardiologistas e, por consideração a estes nossos colegas, a SPC escolheu esta cidade para concretizar este ato simbólico; O segundo aspeto que gostava de salientar é a beleza da própria celebração. Assistimos um momento cultural de grande beleza e que se traduziu num concerto por todos apreciado; O terceiro e último aspeto é que houve muitos colegas  do norte que se associaram a esta iniciativa, nomeadamente dois ex-presidentes, o que para nós é um motivo de satisfação.

O balanço foi francamente positivo!

O concerto este ano teve entrada livre. Porque é que desta vez a SPC decidiu abrir o evento ao público?

Porque a SPC quer, cada vez mais, estar próxima da sociedade civil. Tem sido uma premissa, não só da presente Direção, mas também das Direções anteriores, chegar ao público em geral. Achámos que, ao celebrar esta data em espaço aberto, fora dos muros da própria SPC, conseguiríamos transmitir essa mensagem para o exterior. Este é, na realidade, um aspeto em que a SPC está cada vez mais empenhada. 

Quais os principais marcos na história da SPC ao longo destes 69 anos?

Ao longo destes anos, houve inúmeros marcos que destacaria. Primeiro, é importante não esquecer que a SPC é uma sociedade fundadora da ESC (European Society of Cardiology), fazemos parte de um grupo restrito que fundou esta entidade.

Depois, naturalmente que o crescimento da SPC foi acompanhando o crescimento da Cardiologia portuguesa e, esta relação é de parte a parte, porque, se por um lado a Cardiologia portuguesa cresceu e arrastou a SPC, não restam dúvidas de que frequentemente também o oposto sucedeu. Um exemplo muito claro desta situação é o sucesso do tratamento do Enfarte do Miocárdio verificado hoje na Cardiologia nacional. Pode-se afirmar que este êxito se deveu, em grande medida, ao estímulo da SPC no âmbito do projeto europeu Stent for Life. A SPC contribuiu para a organização da Cardiologia em torno do tratamento desta doença e os resultados fantásticos que hoje temos, a isso se devem. Este é um marco na vida desta Sociedade!

Após o sucesso obtido na área do Enfarte do Miocárdio redefinimos as prioridades da SPC. Virámos, assim, recentemente as atenções para outras duas patologias que assombram a Cardiologia nacional: a Insuficiência Cardíaca e a Morte Súbita.

Ao longo de 69 anos, o crescimento da SPC acompanhou o crescimento da Cardiologia nacional, mas influenciou – e este é, para mim, talvez o aspeto mais importante. Além disso, a SPC transformou-se na principal entidade a prestar serviços formativos na área da Medicina Cardiovascular e tem hoje o maior congresso português nesta área, a melhor revista nesta área, bem como uma academia cardiovascular que lidera esta área.

Afirmou-se, pois, como uma instituição científica de grande peso em Portugal e é atualmente um marco na Medicina Cardiovascular no nosso país. Há várias sociedades científicas a operar nesta área, mas quem lidera é, sem dúvida, a SPC. 

O que se pode esperar da SPC para o futuro?

Para o futuro, é expectável que venham a surtir efeito os investimentos dos últimos anos. Fundamentalmente, espera-se que a capacidade da SPC de influenciar os decisores aumente. Porém, ser vista por estes como um parceiro não é fácil.

Este ano, pela primeira vez, nomeada pela Secretaria de Estado da Saúde – que define políticas de saúde -, a SPC integra 3 grupos de trabalho e lidera dois. Isto é inédito, nunca tinha acontecido!

Aquilo que espero para o futuro é que a SPC, graças à intervenção cada vez maior que tem junto do público e dos decisores, possa ser olhada cada vez mais como um parceiro e uma entidade com capacidade de influência junto dos mesmos, que é o que tem faltado. Mas não tenhamos dúvidas de que estamos próximos de o conseguir! Eu coordeno  um grupo de trabalho e o Dr. Miguel Mendes, o ex-Presidente da Sociedade, coordena outro. Há ainda um terceiro grupo que não é liderado pela SPC, mas por um cardiologista que hoje ocupa o lugar de coordenador para o programa  das doenças cérebro-cardiovasculares. É algo inovador e que esperamos que se possa ampliar.