«Sinais do coração. Não deixe a viagem acabar cedo demais.» Campanha leva Portugueses de viagem pelo mundo da insuficiência cardíaca.

A SPC iniciou mais uma viagem no caminho da literacia em saúde e por um país mais informado sobre o flagelo da insuficiência cardíaca (IC). Com um coração na sua forma anatómica e gigante a servir de chamariz na Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa, nos dias 25 e 26 de janeiro e, nos dias 28 e 29, na estação de metro de São Sebastião, o início da campanha contou com a presença de diversos meios de comunicação, que aproveitaram para divulgar o evento através de entrevistas aos elementos da direção que estiveram presentes.

Sob o lema «Sinais do coração. Não deixe a viagem acabar cedo demais», o objetivo do coração foi representar todos os portugueses que sofrem de IC e espelhar a vontade da SPC em contribuir para que o flagelo desta doença diminua, promovendo a informação entre a população, de modo a estimular um diagnóstico precoce da doença.

Nas palavras do presidente da SPC, Prof. João Morais, a IC «deverá ser entendida como uma prioridade porque é uma doença com mortalidade elevada e com um número de internamentos muito superior ao do enfarte do miocárdio.» Assim, acrescenta, «considerámos que, se aceitássemos e nos propuséssemos a este desafio, poderíamos estar a contribuir para uma significativa redução da mortalidade por doenças do aparelho circulatório.» Na prática, concluiu o presidente da SPC, «o objetivo é que os decisores e a tutela coloquem, definitivamente, a IC na lista de prioridades e que o Plano Nacional de Saúde possa incorporar a IC como um capítulo próprio, que os hospitais e a estrutura do Serviço Nacional de Saúde se organize para receber estes doentes e tratá-los convenientemente e que o público passe a partilhar esta informação com quem o rodeia, porque só é possível ter saúde de qualidade, com o envolvimento de todos os elementos que compõem este processo».

Para assinalar o arranque desta iniciativa estiveram no local o Prof. João Morais, o Dr. Diogo Cavaco, membro da direção da SPC, e o Comandante Vicente Moura, presidente da Associação de Apoio ao Doente com Insuficiência Cardíaca. Esta ação contou, ainda, com a presença de Salvador Sobral que justificou a sua presença na campanha com o objetivo de «ajudar que mais portugueses saibam sobre esta doença e sobre os seus sintomas.»

Como lembrou o Dr. Diogo Cavaco, «esta é uma patologia que afeta cerca de 500 mil portugueses, mas que, frequentemente, passa despercebida dado que alguns sintomas são confundíveis com sinais de envelhecimento e excesso de peso, como a falta de ar, dor no peito, desmaios, pernas inchadas, entre outros, e este tipo de campanhas pode alertar a população e levar as pessoas que tenham este tipo de sintomas a procurar ajuda médica o mais precocemente possível». Além disso, continuou o especialista, atualmente, é possível fazer muito pelos doentes com IC, na medida em que existem uma série de estratégias que podem ser adotadas e que podem melhorar muito a qualidade de vida destes doentes e ajudar diminuir a mortalidade que lhe está associada”.

A procura de ajuda médica numa fase precoce da doença é, aliás, uma das batalhas que a SPC tem desenvolvido e isso só é possível através de uma população sensibilizada para a sintomatologia. «As pessoas acabam por chegar tardiamente à consulta e temos a noção, ao observar o doente e fazer a sua história clínica, de que muitas situações poderiam ter corrido de forma diferente se tivessem sido diagnosticadas mais cedo e se as próprias pessoas se tivessem apercebido de que alguma coisa não estava bem com elas», confirmou o Dr. Diogo Cavaco.

Nesse contexto, o especialista deixou dois apelos à comunidade civil: um mais geral, no âmbito da prevenção através da adoção de estilos de vida saudáveis, e outro mais específico, para quem manifeste alguns dos sinais associados à IC para procurarem ajuda médica o mais precocemente possível, sendo que a primeira linha desse apoio passa sempre pela Medicina Geral e Familiar.

Também o presidente da Associação Portuguesa de Apoio os Doentes com Insuficiência Cardíaca quis deixar uma mensagem de parabenização à SPC por esta iniciativa, reconhecendo a sua importância neste processo de literacia em saúde. «Ao iniciar esta campanha, a SPC chama a atenção, em termos públicos e dos media, para esta doença, não só para eventuais doentes, mas também para familiares e, inclusivamente, para profissionais da saúde, o que é uma mais-valia já que um dos problemas da IC é tratar-se de uma doença insidiosa, que se vai manifestando ao longo do tempo e da qual as pessoas, muitas vezes, não se apercebem. Portanto, uma das primeiras medidas de combate a esta patologia é, exatamente, alertar a população para a mesma, de modo a que possam procurar aconselhamento médico o mais precocemente possível», defendeu o comandante Vicente Moura.

 

DISCURSO DIRETO | Prof. João Morais, presidente da SPC

 

 

O que motivou a SPC a lançar esta campanha?

A SPC limitou-se a reconhecer uma necessidade. As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em Portugal. Temos um longo caminho de sucesso, com uma contínua redução do número de mortes associadas a estas patologias nos últimos 15/20 anos, mas tínhamos a noção de que era necessário fazer mais. A IC é a nossa prioridade porque mata mais e tem um número de internamentos muito superior ao do enfarte do miocárdio. Portanto, achámos que, se trabalhássemos bem, este poderia ser um dos pontos em que poderíamos obter resultados muito significativos na redução da mortalidade por doenças do aparelho circulatório.

 

Qual é o grande desafio no que se refere à insuficiência cardíaca?

O grande desconhecimento que a população ainda manifesta sobre esta patologia, além de que os próprios decisores apresentam alguma dificuldade em discutir esta doença. Daí, nos últimos dois anos, termos assumido esta prioridade. Esta campanha é apenas parte desse objetivo, dando a conhecer esta patologia e, de alguma forma, colocar as pessoas a pensar sobre este tema.

Esta é uma campanha de sensibilização para os sintomas porque as pessoas só podem pensar na doença se identificarem em si ou nos seus familiares os sintomas, mas não é apenas isso, já que também estamos muito preocupados com os problemas de organização que o país tem para dar depois resposta a estes doentes.

 

Como se pode explicar de uma forma simples o que é a IC?

Fundamentalmente, o coração quando se torna insuficiente fica menos capaz de dar resposta às atividades do dia a dia. Assim, a fadiga desproporcionada ou que surge de uma forma quase repentina e que é desadequada para a nossa idade e para a nossa condição física obriga a pensar em IC. Depois, há sintomas associados, como a falta de ar, a ligeira dificuldade em respirar, as pernas levemente inchadas, entre outros, mas a mudança do comportamento físico é, talvez, dos mais chamativos. Posso dar um exemplo muito simples: se dantes a pessoa conseguia subir as escadas de uma vez só e agora se cansa muito mais ou tem mesmo de parar a meio, isso é um sinal de alerta.

 

Que apelo gostaria de deixar à sociedade civil?

Antes de mais, o alerta para que sejamos capazes de identificar os cerca de 500 mil portugueses que sofrem desta patologia, ou seja, que perante situações que acabei de referir, as pessoas procurem o seu médico. A verdade é que podemos ter as melhores ferramentas para tratar os doentes, mas se eles não chegarem ao sistema ou não forem sequer informados da sua existência, não conseguimos fazer melhor. A literacia em saúde continua a ser uma grande preocupação em Portugal.

 

O que o deixaria satisfeito no final desta campanha?

Gostaria que os decisores e a tutela colocassem definitivamente a IC na lista de prioridades e que o Plano Nacional de Saúde passasse a incorporar a IC como um capítulo próprio; que os hospitais e a estrutura do Serviço Nacional de Saúde se organizasse para receber estes doentes e tratá-los convenientemente; e que o público partilhasse esta informação porque é impossível ter saúde de qualidade só com o esforço de um dos lados, o utente é responsável pela sua saúde, pelo que tem de participar no processo.

 

Saiba mais sobre esta campanha em: 

https://spc.pt/web/guest/campanha-insuficiencia-cardiaca

 

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