Novidades cientificas e o papel das ciências informáticas no diagnóstico e decisão médica em destaque na Reunião Anual Conjunta dos Grupos de Estudo de Ecocardiografia, Doenças Valvulares e de Cirurgia Cardíaca

«A reunião foi elaborada em torno das evoluções mais recentes nestas áreas, procurando que todas as sessões tenham, quer na equipa de moderação, como na de palestrantes, profissionais dos vários grupos de estudo, de modo a proporcionar uma visão o mais abrangente e interdisciplinar possível», Prof. Adelino Leite-Moreira, coordenador do Grupo de Estudo de Doenças Valvulares (GEDV)

«Como grandes novidades focaria a sessão sobre a aplicação de algumas ferramentas das ciências informáticas e tecnológicas no diagnóstico e decisão médica, que contará com quatro convidados especialistas nos temas da impressão 3D, big data, nanotecnologia e inteligência artificial», Dr. Mário Jorge Amorim, coordenador do Grupo de Estudo de Cirurgia Cardíaca (GECC).

Entre os dias 28 de fevereiro e 1 de março, cardiologistas dedicados à ecocardiografia, doenças valvulares e cirurgia cardíaca terão a oportunidade de atualizar conhecimentos e discutir experiências na habitual reunião conjunta dos Grupos de Estudo de Ecocardiografia, Doenças Valvulares e Cirurgia Cardíaca, que este ano terá lugar em Braga.

À semelhança do que vem sendo habitual nas edições anteriores, também a reunião deste ano teve como preocupações centrais na elaboração do programa a abrangência, o interesse e a atualidade científica dos temas, numa perspetiva de análise multidisciplinar dos doentes. Neste contexto, o Dr. Mário Jorge Amorim revela que aguarda com expectativa “uma forte presença de colegas na reunião e no curso pré-congresso, assim como uma discussão aberta e viva dos diferentes temas que preocupam os colegas”.

Salientando que o encontro «será recheado de mesas redondas e palestrantes de grande capacidade comunicativa e de temas disruptivos», o coordenador do GECC especifica que a conferência «Como avaliar qualidade em cuidados cardiovasculares e que critérios para um Centro de Referência?», proferida pelo Prof. António Ferreira, será um dos momentos altos da reunião.

Para este especialista, outro destaque vai para a mesa-redonda “Inovação na doença cardiovascular”, onde será debatida “a aplicação de algumas ferramentas das ciências informáticas e tecnológicas no diagnóstico e decisão médica, e que contará com quatro convidados especialistas nos temas da impressão 3D, big data, nanotecnologia e inteligência artificial”.

Quanto a mensagens que gostaria que os participantes retivessem deste encontro, Mário Jorge Amorim especifica que as mesmas estão segmentadas por grupos geracionais: “Para os mais novos, centram-se no curso formativo de ecocardiografia e nos temas relacionados com o diagnostico cardiovascular e CardioQuizz; para os mais seniores, dizem respeito aos temas de interligação com outras áreas do conhecimento e aos temas de índole política”.

Em entrevista, o Prof. Adelino Leite-Moreira, coordenador do GEDV, avança mais pormenores sobre o encontro.

 

DISCURSO DIRETO | Prof. Adelino Leite-Moreira, Coordenador do GEDV

 

Quais os objetivos da reunião deste ano?

A grande preocupação na organização desta reunião foi encontrar aspetos inovadores, mas também controversos, que unam as temáticas dos três grupos de estudo. Uma das tónicas importantes foi, desde logo, as doenças valvulares que dependem muito da imagem, nomeadamente da ecocardiografia, não só para o seu diagnóstico, como para delinear a estratégia terapêutica e avaliar os resultados. Por outro lado, muitas destas patologias têm um tratamento cirúrgico ou através de técnicas invasivas, nas quais o cirurgião pode estar envolvido.

Assim, a reunião foi elaborada em torno das evoluções mais recentes nestas áreas, procurando que todas as sessões tenham, quer na equipa de moderação, como na de palestrantes, profissionais dos vários grupos de estudo, de modo a termos uma visão o mais abrangente e interdisciplinar possível. Na nossa opinião, esta estratégia de abordagem multidisciplinar tem sido a grande chave do sucesso desta iniciativa.

 

Pode avançar-nos algumas das novidades que estarão em destaque?

Vamos destacar as inovações mais recentes, como é o caso das soluções de imagem e multimodalidade de imagem, novas técnicas cirúrgicas, mas sem negligenciar as anteriores, como a abordagem minimamente invasiva e a robótica. Teremos algumas sessões sobre inovação científica, nomeadamente a nanotecnologia e a sua importância para a decisão médica, o big data e a capacidade de extração de informação dos inúmeros registos clínicos disponíveis nos hospitais que, com novas tecnologias, nos podem alicerçar melhor a interpretação desses dados e a retirada de ilações para alavancar a tomada a decisões.

Além disso, houve alguma preocupação para nos focarmos não só nos aspetos clínicos e científicos, mas também organizacionais. Tendo cada vez mais ao nosso dispor tecnologia avançada e complexa, que se associa necessariamente a custos e a doentes cada vez mais idosos, é importante discutir a capacidade de tomada de decisões, onde a questão da sustentabilidade deve ser tida em consideração.

 

O que gostaria que os participantes importassem deste encontro para a prática clínica?

Desde logo, a multidisciplinaridade. O heart team tem sido muito falado nos últimos tempos e, na minha opinião, constitui a peça fundamental para o bom acompanhamento dos doentes. Atualmente, existem várias metodologias para diagnosticar e tratar o doente que não devem ser competitivas entre si, mas antes complementares e direcionadas para oferecer o melhor tratamento a cada caso. É importante discutir com os colegas que têm competências complementares e que se debruçam sobre o mesmo problema, na medida em que isso permitirá a tomada de decisões mais corretas para o doente.

Por outro lado, a sessão sobre análise informática tem como objetivo último que se caminhe para uma Medicina personalizada, ou seja, oferecer a cada doente o melhor tratamento para ele, o que implica tomadas de decisões complexas, tendo em consideração múltiplas variáveis.

 

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