SPC: 70 anos de vida, «sem nunca parar de bater»

No ano do seu 70.º aniversário, a Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) orgulha-se de continuar a promover os objetivos que estiveram na origem da sua fundação: a melhoria da saúde cardiovascular dos portugueses e, consequentemente, a redução da mortalidade associada a estas patologias.

Para o Prof. João Morais, atual presidente da SPC, sete décadas representam uma longevidade assinalável, justificada pelo facto de se tratar de «uma das sociedades científicas mais importantes a atuar em Portugal, de ter sido fundadora da Sociedade Europeia de Cardiologia, ter uma muito longa tradição e uma atividade muito intensa do ponto de vista da formação médica contínua».

Ao longo destes anos, a SPC tem tentado dar resposta aos propósitos definidos nos estatutos iniciais: contribuir para a melhoria da saúde cardiovascular dos portugueses. Neste sentido, a atual direção da SPC tem apostado numa atuação cada vez mais próxima da comunidade e dos agentes decisores através de diferentes tipos de iniciativas e é esse o caminho que pretende continuar a fomentar para atingir os seus objetivos.

«O peso da SPC junto dos profissionais é muito grande e a responsabilidade que tem junto da sociedade civil obriga a que esteja cada vez mais próxima do cidadão, por forma a contribuir mais para a educação da população e, dessa forma, contribuir para a melhoria da saúde cardiovascular nacional», reforça João Morais. Apesar de nos últimos 15 a 20 anos o número de mortes por doenças do aparelho circulatório ter vindo a diminuir, estas doenças continuam a ser a principal causa de morte em Portugal. Por esse motivo, o presidente da SPC assume que o objetivo imediato da Sociedade é retirar estas doenças do lugar cimeiro e assegura que as decisões que têm sido tomadas levarão a um caminho de sucesso.

«Não sendo a sociedade científica mais numerosa em termos de atividade, regularidade e iqualidade, não sei se há alguma que se possa comparar a nós, por isso, temos o direito de reivindicar parte desses bons resultados», salienta.

Fundada a 9 de Julho de 1949, a SPC resultou da vontade de um grupo de médicos cardiologistas, ligados a instituições universitárias, de criar uma sociedade científica que pudesse servir de base ao desenvolvimento da Cardiologia portuguesa. E os seus objetivos estavam bem delineados nos primeiros estatutos: estimular o estudo e investigação dos problemas científicos relacionados com as doenças do aparelho circulatório; ocupar-se dos aspetos sociais da profilaxia e assistência aos doentes cardíacos; promover o estreitamento das relações científicas entre os médicos portugueses que se dedicam em particular a este setor da Medicina, representando também o país nas reuniões científicas internacionais.

Foram 17 os sócios fundadores: Jacinto Moniz de Bettencourt, David von Bonhorst, Leonel Cabral, Aníbal Castro, Eduardo Coelho, Arsénio Cordeiro, Jaime Celestino da Costa, António Lima Faleiro, Alfredo Franco, Manuel Cerqueira Gomes, João Antunes Leal, Mário Moreira, Adelino Padesca, Pedro Madeira Pinto, João Porto, Benjamin Mendonça Santos e Francisco Rocha da Silva.

O nível científico da Cardiologia nacional foi visível desde o início quando, logo no 1.º Congresso Mundial de Cardiologia, efetuado em Paris em 1950, foram apresentadas 14 comunicações científicas portuguesas e no 1.º Congresso Europeu de Cardiologia, em Londres em 1952, quatro. Esta projeção fomentou a parceria internacional, nomeadamente com a Sociedade Espanhola de Cardiologia, através da criação de congressos luso-espanhóis, e com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, com a realização bienal de simpósios luso-brasileiros, que acabaram por se tornar habituais nos congressos nacionais das duas Sociedades.

Na década de 70 assiste-se a eventos fundamentais na vida da SPC, de grande impacto para o seu futuro, nomeadamente, a realização, em 1974 e na direção de Mário Trincão, do primeiro Congresso Português de Cardiologia, em Lisboa (Estoril), e a criação dos Grupos de Estudo, da Associação Portuguesa de Pacing Cardíaco e da Fundação Portuguesa de Cardiologia, que vem a ser presidida por Fernando de Pádua.

A história mais recente da SPC, já no século XXI, abrangendo as direções de Ricardo Seabra Gomes, Mário Freitas, Cassiano Abreu-Lima, Hugo Madeira e Manuel Antunes, é marcada pela implementação da acreditação das ações formativas pelo European Bureau of Accreditation in Cardiology, pela criação do Portal da SPC e a edição online da Revista Portuguesa de Cardiologia e do Boletim Informativo para os Sócios, pelo incremento dos programas de formação em Cardiologia, pela Carta Europeia do Coração, pela reestruturação dos sistemas de informação e comunicação da SPC e pelo estreitamento de relações com os países de língua portuguesa, concretizado na Federação das Sociedades de Cardiologia de Língua Portuguesa, constituída no dia 15 de Setembro de 2009.

Recordando os maiores feitos das últimas três direções que antecederam a atual, em 2011-2013, sob a direção do Prof. Mário. Lopes, assistiu-se à introdução das salas virtuais para a comunicação síncrona entre os sócios, integradas na Casa do Coração Digital, e a uma crescente utilização das redes sociais ao serviço da atualização em medicina cardiovascular e Cardiologia. No mesmo raciocínio de reforço da estratégia de comunicação entre pares e com a sociedade civil, o mandato do Prof. José Silva Cardoso (2013/2015) distinguiu-se pela criação da Escola de Formação Pós-Graduada em Medicina Cardiovas­cular da SPC, do Departamento de Investigação da SPC e do Conselho das Sociedades Científicas Médicas Portuguesas. Foi também nesta altura que ganharam vida algumas parcerias com o Brasil e Espanha, nomeadamente, o início da produção de um Livro de Reabilitação Cardíaca, a criação dos cursos de Suporte Avançado de Vida em Insuficiência Cardíaca(SAVIC) e Luso-Espanhol de Insuficiência Cardíaca Aguda, assim como o registo Notarial da Federação das Sociedades de Cardiologia de Língua Portuguesa e a realização em Lisboa da 1.ª Cimeira Ibérica de Cardiologia e do Heart Failure 2013. Quanto à direção presidida pelo Dr. Miguel Mendes (2015/2017), caracterizou-se por um novo modelo de congressos, mais inovador, pela aproximação aos países africanos, pelo início de alguns trabalhos junto da tutela, pela campanha «eu amo viver», pelos primeiros resultados concretos ao nível da formação em suporte básico de vida e na utilização de desfibrilhadores automáticos externos e ainda pela revisão dos estatutos da SPC.

Fazendo jus ao seu propósito de fomentar a formação, a atual direção da SPC desenvolveu a Academia Cardiovascular, uma iniciativa que tem como missão promover a formação contínua de profissionais, médicos e não-médicos, envolvidos na prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação das doenças cardiovasculares. Neste âmbito têm sido criados programas formativos dinâmicos e eminentemente práticos, com um componente teórico centrado em plataformas de e-learning, e um componente prático apoiado em workshops e modelos de simulação.

 

 

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